segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Poema neste príncipio de Outono...



"Mas que sei eu das folhas no outono
ao vento vorazmente arremessadas
quando eu passo pelas madrugadas
tal como passaria qualquer dono?

Eu sei que é vão o vento e lento o sono
e acabam coisas mal principiadas
no ínvio precipício das geadas
que pressinto no meu fundo abandono.

Nenhum súbito súbdito lamenta a dor de assim passar
que me atormenta e me ergue no ar
como outra folha qualquer.

Mas eu que sei destas manhãs? As coisas vêm, vão e são tão vãs como este olhar que ignoro que me olha."
Ruy Belo

1 comentário:

Carlos Ramos disse...

Um dos maiores escritores que este país pariu. Nasceu bem perto de nós, visitou muitas vezes a nossa terra, escreveu um dos meus poemas preferidos, "Nau dos Corvos". Obrigado por o teres trazido de novo, na volta da maré...