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sexta-feira, 4 de julho de 2008

No seguimento do post anterior...*

*...ou O prometido é devido!

O PADRE DAS PALMAS (…E DAS LÁGRIMAS)!

Para Monsenhor Manuel Bastos Rodrigues de Sousa, pároco de Peniche, 2007 é um ano de aniversários marcantes:
- 85º aniversário natalício, no passado dia 5 de Maio (nasceu em 1922 em Matadussos, concelho de Aveiro);
- 60º aniversário da sua ordenação sacerdotal, no passado dia 6 de Julho (foi ordenado em Lisboa no ano de 1947);
- 60º aniversário da sua vinda para Peniche, como pároco, no próximo dia 14 de Setembro.
Para que estas datas não passem em branco, aqui fica este simples artigo dedicado ao sacerdote que marcou profundamente os últimos sessenta anos de Peniche. Podemos dizer, sem sombra de dúvida, que a nossa terra não seria o que é hoje se, há sessenta anos atrás, o Sr. Prior não tivesse vindo para Peniche. Para quem não sabe, o sonho do jovem Manuel Bastos era ir para África. Mas Peniche - “a África às portas de Lisboa” (nas palavras do Cardeal Cerejeira, em 1947) – foi o destino. Felizmente, para Peniche e para os penicheiros, o espírito missionário não ficou pelo caminho. A prová-lo está toda a acção cultural e social que tem sido desenvolvida pela Paróquia de Peniche nos últimos 60 anos: um lar, dois jardins-de-infância, duas creches, uma oficina de renda de bilros, um clube recreativo e desportivo e um pavilhão polivalente, só para falar nas faces mais visíveis e palpáveis deste trabalho. Sem o Padre Bastos e o seu espírito de missão - moldado pela Fé, pela Esperança e pela Caridade - muitas destas realidades nunca teriam passado de sonhos. Naturalmente que a missão se multiplicou em muitos outros actos pastorais (conversas, cartas, viagens, etc) e está formalizada em todos os Organismos, Movimentos e Serviços da paróquia. Estendeu-se particularmente a todos os que fazem do mar a sua vida (através do Apostolatus Maris, tão prezado pelo Sr. Prior), a todos os que foram para fora da terra, a diáspora penicheira espalhada por Portugal e pelo mundo (visitada por Monsenhor Bastos ao longo de mais de cinquenta anos e igual número de viagens, nomeadamente ao continente americano), e a todos os que visitam Peniche, os turistas a quem o Sr. Prior insiste em acolher de forma especial, nesta terra em que o TURISMO e a PESCA são, no seu entender, as traves-mestras.

Cada um de nós terá a sua sensibilidade sobre esta figura INCONTORNÁVEL de Peniche. Por mim, dei a este artigo o título “O padre das palmas (… e das lágrimas)” porque, acima de tudo, o Sr. Prior é para mim um HOMEM DE EMOÇÕES. Quem teve a oportunidade de o conhecer um pouco melhor, ao longo dos anos, sabe que, para além de qualquer definição, o Sr. Prior é um SER PROFUNDAMENTE HUMANO, no que isso tem de melhor:
- um homem que FAZ, que quer fazer deste mundo um mundo melhor sobretudo para os mais pobres e para os mais necessitados, À IMAGEM DE JESUS CRISTO, O MESTRE;
- um homem ATENTO aos mais frágeis da sociedade (crianças, idosos, reclusos, doentes, etc) e aos sinais dos tempos…em certa medida, um VANGUARDISTA;
- um homem que EDUCA para uma convivência mais sã e tem uma preocupação muito especial com a EDUCAÇÃO CÍVICA, com a FAMÍLIA HUMANA, e um profundo RESPEITO PELA DIFERENÇA (géneros, idades, raças e credos);
- um homem que gosta de CONTAR HISTÓRIAS e tem SENTIDO DE HUMOR;
- um homem que GOSTA DE DESPORTO e que, sem qualquer tipo de fanatismo, torce pelo seu Sporting;
- um homem que APLAUDE (são famosas as suas “Palmas…mais palmas!”);
- um homem que SOFRE ( e muitas vezes terá sofrido ao longo destes anos) por ele e pelos outros e COM OS OUTROS;
- um homem que CHORA, de tristeza e de alegria (quem não conhece o seu lado lágrima ao canto do olho?);
- um homem que, naturalmente, NÃO AGRADA A GREGOS E A TROIANOS como, aliás, todos os grandes homens. Porém, poucos de nós lhe seremos indiferentes: em algum momento das nossas vidas ficámos a dever-lhe um gesto de atenção, uma palavra, uma oportunidade de conhecer e/ou aprender.

Para além das suas virtudes terá concerteza os seus defeitos, as suas manias, as suas insconstâncias, as suas dúvidas…como todos nós, ao fim e ao cabo, como homem que é. Mas feito à imagem e semelhança de Deus e por Ele chamado de modo particular, tem sabido percorrer o caminho da SANTIDADE (a que todos somos chamados)…aquela santidade que é feita de actos do quotidiano que marcam a diferença para melhor, no nosso dia-a-dia aqui na TERRA.
Por isso, para o Sr. Prior uma salva de PALMAS por estes aniversários…e que outros se sigam. O CÉU pode esperar…


Nota- Como referi no post anterior, este artigo foi escrito em Setembro de 2007.

quarta-feira, 4 de maio de 2022

‘Memórias que contam’ ou o Centenário do Sr. Prior

A minha amiga Marisa lançou-me o repto* no Facebook e já estou em dívida há alguns dias! Os dias não me têm deixado assentar ideias e colocá-las por escrito. 

Talvez porque já escrevi muito sobre a pessoa em causa, como ainda podem ler aqui…mas a verdade é que há sempre tanto por dizer que se torna difícil escolher um só ponto de vista ou uma memória

Na véspera do seu centenário acabei por me decidir por três apontamentos: dois fait-divers e um terceiro mais marcante!

Começo pelos fait-divers:

- “Foi na loja do Mestre André” e “Um dedo, outro dedo…”: serão sempre as músicas
do cancioneiro infantil que associarei ao Sr. Prior. Quantas e quantas vezes o vi interpretar uma ou outra para entreter o público? Quem como eu teve essa oportunidade, sabe do que falo!;

- a Volta a Portugal em Bicicleta: amante do desporto como era, o Sr. Prior não dispensava visualizar esta grande prova do Ciclismo nacional. Ficou-me esta memória desportiva, apenas porque na década de 80 a Volta acontecia em princípios de setembro, e normalmente coincidia com a semana de férias que cheguei a partilhar em família com o Sr. Prior. Claro que também podia falar do seu sportinguismo militante…mas isso fica para outra altura!;

- por último, mas a mais marcante: a minha pertença de 27 anos à Associação de Acólitos de Peniche, 23 dos quais com o Padre Bastos como pároco. Quantas aprendizagens, quantos convívios, quantas cerimónias litúrgicas, quantas festas, quantas palestras, quantos passeios, quantas experiências ??? Muitos e tão ricos de saber, saber fazer, saber estar e saber ser...para mim e para todos os que viveram essa época áurea de um acolitado misto e intergeracional! 

Já agora, para quem não sabe, até nisso o Sr. Prior foi pioneiro já que “…em 1983, numa iniciativa até então inédita no país, e prenunciando pedagógica e inteligentemente o futuro, o acolitado foi aberto à participação feminina (…) o que, aliás para todo o mundo seria aprovado em 1994 por João Paulo II.”

Estas últimas palavras não são minhas, mas podiam ser. São uma citação da obra “Até sempre Padre Bastos!” de Mariano Calado, que reli nos últimos dias e que, acredito, muitos deviam e gostariam de ler. 

Fica a sugestão para que nunca nos falhe a memória e a inspiração para fazer mais e melhor, à imagem de Monsenhor Bastos...a quem ainda estamos a dever muitas palmas!

 

PS - *O repto foi este: Para que a memória não nos falte... vamos partilhar histórias e vivências que tivemos, ou que nos contaram, acerca deste grande Homem de Deus que passou pelas nossas vidas e que deixou em nós marcas tão profundas, sinais da aliança de amor que Deus contraiu com os homens. Mantemos o título desta publicação (MEMÓRIAS QUE CONTAM, 100º ANIVERSÁRIO PADRE BASTOS), contamos a história e nomeamos 4 amigos.

 


quinta-feira, 15 de setembro de 2022

ESPECIAL 100 ANOS PADRE BASTOS

Começámos em maio, para assinalar o Centenário de nascimento do Padre Bastos…terminamos em setembro, quando se assinala o 75º aniversário da sua chegada a Peniche. Ao longo destas 20 semanas foram outras tantas as entrevistas e 21 os convidados, com idades entre os vinte cinco e os noventas. Foram muitas as memórias partilhadas…e nunca serão demais!

Como digo neste último episódio, em que acabei por ser a entrevistada (não estava previsto ser assim inicialmente, mas acabou por se proporcionar) a iniciativa deste “Especial” não partiu de mim, mas da 102 FM Rádio, a quem desde já agradeço esta oportunidade. Foram momentos muito bem passados a gravar e depois a ouvir o resultado final.

Aproveito para agradecer ao Luís Parreira o convite para conduzir este programa, ao Nuno Jorge a dedicação e paciência na gravação de todas as entrevistas e a todos os convidados por terem aceitado colaborar nesta homenagem ao Sr. Prior, dando a visão particular de cada um sobre este homem tão especial, com quem tivemos o privilégio de (con)viver. 

Quem não teve oportunidade de ir vendo semanalmente, ou perdeu alguma, pode visualizá-las todas aqui. 

No decurso desta conversa que tive com o Nuno, às tantas, ele pede-me para dizer alguma coisa que ainda não tenha dito sobre o Sr. Prior! Na altura não me ocorreu e a verdade é que não seria inédito porque há quem saiba deste meu sonho: gostava MUITO de conseguir escrever um livro sobre o Sr. Prior, de lhe fazer uma Biografia o mais completa possível, diferente das que já existem (e são naturalmente válidas)! É um sonho que acalento há muitos anos…ainda o Sr. Prior era vivo chegámos a ter umas conversas com esse intento de registar alguns acontecimentos da sua vida. Até à data não foi possível…como se entende é algo que pressupõe muito trabalho de pesquisa, recolha de depoimentos, entrevistas, fotografias, etc, etc…e – obviamente – verba para editar a obra (não menos importante que tudo o resto).

Quem sabe, um dia, o sonho se concretiza? Estas entrevistas foram, de certo modo, um contributo para acalentar ainda mais esse desejo!

 

sexta-feira, 4 de julho de 2008

"Sr. Prior"


Já há algum tempo que ouvíamos falar acerca desta possibilidade, mas desde o passado Domingo, dia 29 de Junho - Solenidade dos Apóstolos Pedro e Paulo - que é oficial: Monsenhor Bastos deixa este ano pastoral (a partir de Setembro) as funções de pároco de Peniche.

Como sublinha D. José Policarpo, Cardeal Patriarca de Lisboa, no Decreto de Nomeação de Presbíteros o mesmo acontece com outros 4 sacerdotes da Diocese de Lisboa, por motivos de saúde ou avançada idade.
D. José adianta ainda: "Para eles a nossa gratidão e a nossa ternura, na certeza de que continuarão a ter a Igreja de Lisboa no coração e a servi-la na medida das suas forças."
Sei que é isso que vai acontecer: o Sr. Prior vai continuar a servir a Igreja o melhor que sabe e pode, apesar de já não ter a juventude que irradia na foto que escolhi para ilustrar este post.
Para mim vai ser complicado deixar de o tratar por "Sr. Prior". Tal como para mim, para muitos ele foi o único prior que conhecemos ao longo da vida, e quem me conhece sabe que nutro por Monsenhor Bastos uma grande amizade e admiração.
Acredito que estava na hora de mudar, mas não quero deixar de expressar a minha gratidão por tudo aquilo que com ele aprendi ao longo da vida...e vou continuar a aprender.
O próximo post será um texto que escrevi em Setembro de 2007 por altura do 60º aniversário da sua vinda para Peniche e que foi publicado no jornal A Voz do Mar. Será um post grande, na medida da pessoa a quem se refere...

PS - O novo pároco de Peniche será o Pe. Pedro Jorge Silva, nascido em 1969 e ordenado em 1996, actual vigário da Vigararia XIV (onde se incluem as paróquias de Peniche, Caldas da Rainha e Óbidos)...a quem desejo, naturalmente, as maiores felicidades nesta nova e exigente função.

domingo, 13 de junho de 2010

Sr. Prior (1922-2010)

Peniche viu hoje descer à terra um dos grandes homens que conheceu.
Por estes dias o céu ganhou mais um santo e tenho a certeza que os anjos, tal como os homens na terra, bateram muitas palmas à sua chegada!
E Santo António (ou não fosse ele português), como está em dia de festa, não contente com a salva inicial, pediu mais palmas...e os anjos, os santos e os homens não se fizeram rogados e fizeram coro nesta saudação, que desatou em nós um misto de emoções, que nos levou das palmas às lágrimas...ambas merecidas por aquele que, para muitos, será sempre o "Sr. Prior", para outros o Padre Bastos e para alguns o Monsenhor. Denominações à parte, o reconhecimento é geral.
E pelo muito que fez, por amor,descanse em paz, Sr. Prior!
É o que se me oferece dizer, nesta hora...

(Foto de Pedro Tavares - http://porimagens.pt.vu/)

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Para acólitos, antigos-acólitos e todos os que quiserem ler ;)

O Movimento Litúrgico de Jovens de Peniche - Associação de Acólitos está na semana de preparação para a sua Festa Anual, que se assinala sempre em Domingo de Cristo Rei, o Domingo que, na liturgia da Igreja, antecede o Advento.

Depois do Retiro de fim de semana, 2ª feira foi dia de reflexão pessoal, 3ª feira foi dia de nos encontrarmos à volta do altar (na eucaristia das 19h00), 4ª feira foi dia de oração noturna na Capela do Lar e hoje é o chamado dia da partilha.

Nele somos convidados a partilhar palavras, gestos, objectos ou atitudes que falem deste ser acólito. Como já perceberam, pelo que escrevi até aqui, também eu sou acólita e há pouco dei por mim a pensar o que fazer para que este dia não passasse em branco…

Decidi-me a escrever este texto que, porventura, será lido por muitos daqueles que ao longo dos 54 anos de história desta associação foram passando por aqui…Por alguns, tenho um carinho especial, aqueles a que chamo “os do meu tempo”… Ou não fosse eu uma  nostálgica incorrigível! Na verdade, os que hoje partilham comigo este serviço e a pertença a esta associação também são do meu tempo. Mas aqueles a que me refiro são os que cá estavam quando entrei para este movimento (em Junho de 1985), ou foram entrando nos anos seguintes, e que marcaram a minha adolescência e juventude. Para esses, que partilharam comigo esses tempos, vai um ABRAÇO ESPECIAL.

Felizmente, alguns continuam a fazê-lo e é natural que tenhamos, entre nós, uma cumplicidade maior. E para esses vai um ABRAÇO UM BOCADO MAIS APERTADINHO ;)

Depois há os que fui (re)conhecendo como (antigos) acólitos: e é uma família enorme a dos que, ao longo deste meio século, encontraram no acolitado a sua forma de estar mais perto de Cristo. Muitos tornaram-se até, aquilo a que se convencionou chamar, “católicos não-praticantes”, mas é com indisfarçável orgulho que mencionam os seus tempos de acolitado. Alguns, fruto da intervenção do Espírito Santo (que não brinca em serviço) voltaram à Igreja –e alguns ao acolitado- mais recentemente. Para todos (mesmo os que não conheço) vai um CUMPRIMENTO PARTICULAR, de quem se reconhece da mesma família. Como diria o Sr. Prior (Pe. Bastos): “Uma vez acólito, acólito sempre…”

E por falar em Sr. Prior, esta associação só existe porque ele assim a criou e acompanhou ao longo de todos estes anos. Foi ele que a moldou, como escola de serviço, de educação cívica e educação litúrgica (três das mais-valias desta associação)… Foi ele que nela implantou o acolitado misto nos anos 80, uma experiência pastoral “atrevida”, que a Mãe-Igreja (que sempre amou e respeitou) veio a reconhecer como válida uns anos mais tarde. Foi com ele que tanto aprendi! Para o Sr. Prior, e para todos aqueles acólitos que já estão no céu (onde se inclui o meu pai) vai o meu “MUITO OBRIGADA!”, na certeza de que continuam a velar por nós lá do Alto.

Finalmente, para todos aqueles que hoje pertencem a esta associação e partilham comigo o serviço do altar, os tempos de oração, os encontros, as cerimónias paralitúrgicas e este carisma especial, deixo um BEIJO e a nossa ORAÇÃO, que é símbolo daquilo que nos une e que nos faz continuar a acolitar. ÁMEN (Que assim seja!)

Oração dos Acólitos

Senhor Jesus Cristo,
sempre vivo e presente connosco
tornai-me digno de vos servir no altar da Eucaristia
onde se renova o sacrificio da Cruz e
Vos ofereceis por todos os homens!
Vós que quereis ser para cada um
o amigo e sustentáculo no caminho da vida,
concedei-me uma Fé humilde e forte, alegre e generosa
pronta para Vos testemunhar e servir.
E porque me chamaste ao vosso serviço,
permiti que vos procure e vos encontre,
e pelo sacramento do Vosso Corpo e Sangue,
permaneça unido a Vós para sempre,
Ámen!

quarta-feira, 14 de setembro de 2022

Celebrar o Sr. Prior...

Faz hoje 75 anos, Peniche recebia um novo Prior: Padre Manuel Bastos Rodrigues de Sousa, 25 anos de idade, ordenado a 6 de julho desse ano de 1947. 

Já muito falei por aqui do Sr. Prior, como ainda o trato. 

Este post é apenas para assinalar a efeméride de hoje e dar conta de alguns momentos de celebração que terão lugar por estes dias. A saber: 

Já hoje, abre ao público uma nova valência do Centro Social Padre Bastos: o CENTRO DE DIA. Para saberem mais ouçam as palavras da Marisa, diretora técnica deste serviço, aqui. 

Também a EUCARISTIA das 19h00, em São Pedro, será celebrada em ação de graças pela vida e ministério de Monsenhor Bastos

Ainda HOJE, às 21h00, no Café Stella Maris, haverá uma SESSÃO DE HOMENAGEM COM POEMAS E MÚSICA. 

No próximo sábado, 17 de setembro, pelas 21h30, na Igreja de São Pedro, o momento será de ORAÇÃO, LOUVOR E AÇÃO DE GRAÇAS. 

Finalmente, no domingo, 18 de setembro, terá lugar a TRANSLADAÇÃO DE MONSENHOR BASTOS do Cemitério de Peniche PARA O SANTUÁRIO DE NOSSA SENHORA DOS REMÉDIOS.  

A cerimónia, presidida por D. Manuel Clemente, terá início às 15h00, no Cemitério de Peniche, seguindo em cortejo até ao Santuário onde, às 16h00, teremos a deposição em novo túmulo. 

Toda a comunidade está convidada para se associar a estes momentos festivos, particularmente a este último.

Para culminar este apontamento, deixo um poema da autoria de Ana Maria Ribeiro intitulado MONSENHOR que alude precisamente à memória que hoje evocamos:

          Desponta a aurora desse 14 de Setembro.
    Era ali a imensa seara que Deus queria.
   No olhar traz uma chama inextinguível,
E eram tantos os sonhos, tanta a alegria,
Que o Sol dourado e quente que renascia,
Tornava rutilante a luz do impossível,
E a rasgos de vida e cor se resumia.
 
Nos lábios há uma prece, uma oração,
Há uma entrega total, um bem querer,
Num desprendimento só de gratidão
A Maria, que em todas as horas é a Mãe.
Uma prece, mesmo que tenha que sofrer.
Era assim, imperioso ir mais além,
E pisar sereno e firme esse chão.
 
E o Sol que brilha as névoas dispersou,
A voz de um Anjo baixou à Terra e segredou:
 
"É este o Homem que na vida é o vosso guia,
Foi este o Homem que Deus vos enviou".
 
O povo crente, humildemente agradecia.
Perdida no azul, uma andorinha esvoaçou
A tornar Divinamente puro este dia.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

14 de setembro

O próximo sábado, 14 de setembro será um dia de festa tripartida para a paróquia (e para o Concelho...porque não?) de Peniche: 
-marcará o início do novo Ano Pastoral  e com ele a receção ao novo coadjutor, Pe. Diogo Correia, recentemente ordenado;
- será dia de agradecer, ao Pe. Salvatore Forte, o trabalho realizado no concelho de Peniche no ano pastoral transato e desejar-lhe felicidades na sua nova missão em terras vizinhas da Lourinhã; 
-e, por último, dia de inaugurar o Memorial a Monsenhor Bastos...exatamente no dia em que, há 66 anos atrás, chegou a Peniche, para uma missão que duraria mais de seis décadas, marcando com as suas ações pastorais, sociais e religiosas a realidade da nossa terra e das suas gentes.

Muito já se escreveu sobre Monsenhor Bastos, ou melhor sobre o Sr. Prior (como sempre foi conhecido e tratado por aqui). Eu própria já escrevi sobre ele neste blogue -aqui, disse quase tudo o que tinha a dizer aqui e, aquando dos seu falecimento, dei eco do que outros escreveram sobre ele, aqui e aqui.
Bem sabemos que, como qualquer ser humano, não agradou "a gregos e a troianos"!...mas julgo que ninguém põe em causa  a justiça do monumento que vai ser erguido em sua memória. E servirá para isso mesmo: para que a memória dos que lhe foram contemporâneos não seja curta e para que aqueles que não o conheceram saibam quem foi, e o que fez, este homem de Deus que dá nome à avenida de entrada em Peniche. 
Outras coisas podem ser, e bem sabemos que são, postas em causa: 
- se o Sr. Prior concordaria com este reconhecimento?
- se a sua localização é a mais adequada?
- se não haveria outras prioridades?..etc,etc...
Mas porque o post já vai longo, sobre estas e outras questões guardarei a minha opinião para outras núpcias...
HOJE quero mesmo é convidar-vos a estar presentes no sábado... e o programa é este:
- às 17h30 será celebrada missa no Pavilhão Polivalente (uma das suas obras), presidida por D. José Policarpo, Patriarca emérito da Diocese de Lisboa;
-seguir-se-á, de imediato, a inauguração do Memorial, no largo de entrada do Lar de Santa Maria (talvez a sua obra mais marcante e casa nos últimos anos de vida);
- para finalizar, haverá jantar partilhado na entrada do Pavilhão. 
Apareçam!

domingo, 26 de novembro de 2023

"Uma vez acólito, acólito sempre!"


...com razão de maioria quando fomos acólitos metade da nossa vida. Nos meus 49 anos, fui acólita durante 27 (entre os 9 e os 37 anos) na Associação de Associação Acólitos de Peniche. 

Hoje foi dia de celebrar mais um aniversário daquela que foi para mim uma escola de serviço, de educação cívica e de educação litúrgica e um lugar de partilha, amizade e pertença. Quantas aprendizagens, quantos convívios, quantas cerimónias litúrgicas, quantas festas, quantas palestras, quantos passeios, quantas experiências ??? Muitos e tão ricos de saber, saber fazer, saber estar e saber ser...para mim e para todos os que viveram essa época áurea de um acolitado intergeracional e misto! 

Ora, a propósito, deixai-me que vos diga que, num tempo onde se fala tanto de inclusão e igualdade de género, um dos "santos orgulhos" desta Associação é ter sido pioneira no acolitado feminino. Estávamos em 1983 quando o Sr. Prior (Pe. Bastos), "numa iniciativa até então inédita no país, e prenunciando pedagógica e inteligentemente o futuro", permitiu o acolitado feminino em Peniche, em jeito de experiência pastoral vanguardista (como tantas as que levou a cabo)!

Foi precisamente há 40 anos!!!

Seria preciso esperarmos 10 anos para que o acolitado feminino fosse oficialmente aceite pela Santa Sé. E é precisamente a carta que, na altura (21 de outubro de 1993), o Sr. Prior escreveu à Elina (então Presidente da Direção da AA) que ilustra este post. Nela podemos ler: 

"Elina,

A Santa Sé, de Roma, acaba de declarar oficial o acolitado feminino dos leigos - Aleluia!

Já não sois apenas toleradas, mas tendes direito igual aos masculinos, no serviço do altar. Que bem! 

Aleluia!

Eu fiquei contentíssimo.

Adeus, Agradeço e aprecio tua "luta" sã. Oremos..."

Foi há precisamente 30 anos! 

E como em tantos outros campos, também aqui, é bom ir lembrando que nem todos os direitos e liberdades dadas como adquiridas estão a salvo! Infelizmente, ainda há muito quem ache que as raparigas/mulheres não deviam acolitar...ainda há quem ache que o acolitado é só para crianças e jovens...ainda há paróquias onde o acolitado feminino não é aceite! 

Pois eu celebrei hoje a Associação de Acólitos de Peniche, mista e intergeracional, de que fez parte o meu pai, de que eu fiz parte e de que, agora,  faz parte a minha filha. Só tenho pena que (por fatores de vária ordem) não possamos coexistir neste serviço. Mas, felizmente, há quem tenha essa experiência e que bonito é ver as 3 gerações no altar! Isso sim, é sinal de Deus, é sinal de AMOR!

quinta-feira, 22 de março de 2018

"A primeira e a terceira idade de braço dado"

É este o título da reportagem que há alguns dias voltou a circular no FB. Da autoria de Fernando Pessa (FP), foi filmada em Peniche em 1975 e tem como tema central o Lar de Santa Maria, com sua vertente de crianças e idosos. 

Julgo que já  a tinha visto antes, mas só hoje a ouvi atentamente...e que bom foi voltar a ouvir o Sr. Prior: a sua voz e todas as suas sábias palavras! Nunca tive dúvidas da sua clarividência, da sua audácia, do seu vanguardismo. Já escrevi muito sobre ele e julgo que nunca será demais (se tiverem paciência releiam este post). É que ao ouvi-lo nesta entrevista mais uma vez é claro que conviver com ele foi um dos maiores privilégios da minha vida e tê-lo como pároco durante 60 anos foi uma das melhores coisas que podia ter acontecido a Peniche.  

Recordo que esta reportagem tem 43 anos e, partindo da história do Lar de Santa Maria (que este ano assinala o seu 60º aniversário), já na altura era claro para Monsenhor Bastos que: 
- um Lar era um mal-menor mas um mal: o natural seria as pessoas poderem ficar nas suas casas e em família;

- não podendo, era então de criar um lar que realmente o fosse, um "sucedâneo da vida familiar"...sem regulamentos, sem horários, em que todos concorrem para  o seu bom funcionamento na medida das possibilidades de cada um, sentindo-o como sua casa..."os que podem devem dar aos que mais precisam";

- assim sendo, o Lar deve ser misto: senhoras, homens, casais, crianças...o convívio geracional é fundamental (...e assim foi nascendo este lar...uma "experiência" como tantas outras que o Sr. Prior não temeu levar por diante com a sua fé, o seu altruísmo, a sua sabedoria);

- era ainda necessário ocupar as pessoas (os idosos e os mais novos) com atividades manuais, lúdicas e de aprendizagem: daí o Lar já ter uma terapeuta ocupacional e nas suas imediações funcionar uma Escola Aberta e uma Escola de Rendas de Bilros. 

Quase no final da entrevista (aos 22:42 min.) FP pergunta-lhe, fruto das suas deslocações à emigração, o que perspetiva acerca do futuro. A resposta dada há 43 anos vai de encontro ao que hoje assistimos. É a resposta de um homem atento aos outros e aos sinais dos tempos, como conheceremos poucos ao longo de uma vida... 

PS_ não deixem de ver a reportagem (aprende-se muito em pouco mais de 23 minutos)