terça-feira, 13 de abril de 2021

Dr. Jorge

E a uma semana de completar os seus 96 anos aqui na terra, o Dr. Jorge parte para uma outra dimensão...🖤 

Serei sempre a sua "vizinha", como gostava de me tratar, já que partilhámos durante alguns anos a Rua António da Conceição Bento, onde morou e tinha o seu consultório!

Mas fui também sua paciente, amiga e companheira rotária.
Guardarei, na memória, a sua eloquência,  simpatia, sabedoria e contagiante boa disposição!

E assim vou guardando memórias! Há dias assim: em que a par da celebração da vida de alguns amigos, ganho particular consciência daqueles cuja vida celebro agora apenas pela memória que tenho deles! Este 13 de abril, cinzento e frio, foi um desses dias!

(...envelhecer, também deve ser isto...)

sexta-feira, 9 de abril de 2021

" O livro das histórias e da História de Peniche"

A leitura de um livro é quase sempre sinónimo de coisas boas!

Quando o Pedro leu A baleia que engoliu um espanhol, que o Marco tinha escrito, pelo menos uma coisa boa aconteceu: nasceu aí a ideia de fazer outro livro!!!😊

Para além dos livros, o Pedro e o Marco têm em comum uma terra: PENICHE. O Marco nasceu aqui, o Pedro escolheu ser (também) daqui!

O "outro livro" haveria de ser sobre esta terra que os une e que é um verdadeiro tesouro (ainda) por descobrir...por dar a conhecer...por fruir...

Em finais de janeiro de 2020 (ninguém sonhava ainda com o que 2020 seria) juntei-me à mesa com eles  (encontros à mesa também são sempre sinónimo de coisas boas) para falarmos sobre isto e não só! Já sabem: "as conversas são como as cerejas!" 🍒

Chovia muito nesse dia! 

Diz o povo que o que é  "molhado" é "abençoado"! A verdade é que desde então não parámos de sonhar com este "livro das histórias e da História de Peniche", que ainda não tem título, mas já nos deu muitas horas de convívio ( e outras tantas de trabalho)!

Não apenas a nós os 3, mas também  à Ana, à Andréa, ao Hélio, à Riikka e ao Rui

Somos 8 (um número cheio de significado, bons augúrios e que, deitado, é símbolo de infinito!)...mas queremos ser muitos mais! Se gostam de PENICHE juntem-se a nós!

E para perceberem melhor tudo aquilo que vos disse, espreitem aqui

Gostem 👍 da página e façam este caminho connosco!

segunda-feira, 5 de abril de 2021

Dias úteis

Entre a que escrevo (quando a inspiração assim me pede) a que leio, e a que digo (o ano passado dei-vos conta desta colaboração)...a poesia é uma constante na minha vida, pelo menos nas últimas três décadas. 

Obviamente não é alheio a isso o facto de trabalhar numa biblioteca e, de ao longo dos anos, a poesia ter tido um papel principal nas atividades de animação da leitura, quer com os mais pequenos - Uma manhã/tarde com a poesia - quer com outros públicos, nomeadamente com os projetos Poesia na garagem, Estações de Poesia ou A poesia anda por aí...

Alguns dos melhores momentos do meu trabalho estão ligados à poesia ou à contação de histórias...as que digo e conto...ou as que outros, profissionais da arte, têm vindo dizer e contar.  É assim também que tenho conhecido algumas pessoas que vão ficando na minha vida para além dos momentos que partilhamos nestas andanças laborais. É o caso do Filipe Lopes, que conheci há quase 15 anos, e que recentemente me convidou para colaborar com ele em mais uma iniciativa das muitas em que ele se envolve para que os dias se revistam de poesia! Chama-se DIAS ÚTEIS e é um podcast que podem acompanhar aqui

Quanto à minha primeira colaboração com este projeto aconteceu no dia 1 de abril e a escolha recaiu num poema que é sobretudo uma celebração das bibliotecas e de tudo o que elas significam: chama-se "As Bibliotecas" e é da autoria de Maria Teresa Horta.  

O texto foi-me dado a conhecer recentemente numa partilha feita na última sessão da Comunidade Online de Leitores do Oeste por um outro amigo - o João Maria- que também conheci no âmbito do meu trabalho e por culpa da poesia :)

quinta-feira, 1 de abril de 2021

O 13 é um bonito número!

Se este blogue fosse uma pessoa entrava hoje, oficialmente, na fase da adolescência :) 

São 13 anos de escrita e partilha, neste espaço nascido deste meu gosto pela comunicação e pela repartição de conhecimento, coisas belas, inquietudes  e pensamentos vários...

Este último ano coincidiu com este tempo de pandemia e foi talvez o ano em que fiz menos  publicações: foram exatamente 100...bem menos que a média habitual dos primeiros anos! 

Apesar de não considerar, de todo, que a adolescência seja uma fase má ou difícil, não deixa de ser curiosa esta coincidência de timings. A verdade é que a  adolescência é um tempo de questionamento, de experimentação, de novidade, de definições.....e este último ano tem sido tudo isso também!

Mas a adolescência não deixa de ser um tempo vivido com uma certa bonomia, uma simplicidade, uma certa leveza, que a vida adulta (depois) nos vai roubando! Pessoalmente adorei a minha adolescência e encanta-me sempre a largueza de caminhos e de horizontes em que essa idade é pródiga. 

Neste paralelismo entre a adolescência, este último ano e os anos que este blogue celebra...desejo acima de tudo que, apesar de todas as transformações internas ou externas, ele continue a ser um espaço de partilha, de registo e de crescimento!

Há quem declare o fim dos blogues face a outras formas de comunicação online. E é  certo que, também eu, me tenho rendido aos poucos  a outras plataformas: primeiro o FB, mais recentemente o Instagram. 

São outras duas vias pelas quais comunico mas, nem uma nem outra, servem o propósito desta: por aqui posso alargar-me em outras considerações, fazer outro tipo de registos, partilhar de uma forma mais contextualizada, estabelecer ligações, "respirar" de outra forma...enfim: é um espaço com outro tempo! 

A mim faz-me sentido  ter esta "extensão" de mim...espero que também vos faça bem passarem de vez em quando por aqui :)

Enquanto assim for, "a gente vai continuar"...

domingo, 21 de março de 2021

Um poema chamado "As Bibliotecas"...

 

HÁ UNS DIAS, NA SESSÃO DA COLO - COMUNIDADE ONLINE DE LEITORES DO OESTE, UM AMIGO  DEDICOU AOS BIBLIOTECÁRIOS PRESENTES UM BELO POEMA CHAMADO "AS BIBLIOTECAS"

HOJE É DIA MUNDIAL DA POESIA!

AMANHÃ REABRE A "MINHA" BIBLIOTECA...

Se mais nenhuma razão houvesse, estas são três boas razões para hoje partilhar convosco este poema :)

 

 

 AS BIBLIOTECAS *

Amo as bibliotecas

como sendo um roseiral

de rosas entreabertas

 

devoro o cheiro do perfume

dos seus estreitos corredores 

onde se encobrem os lumes

e as penumbras incertas

 

tomo o gosto ao seu ardor

de amores proibidos

entre as folhas dos romances

onde as flores se enfebrecem

Amo as bibliotecas

onde as palavras se tecem

no seu fulgor obscuro

 

passo as mãos nas prateleiras

toco no corpo dos livros

sinto nos dedos as histórias

e a loucura dos sentidos

 

beijo os versos restolhando

nos poemas incontidos

odes de insubmissão

sonetos de tempo ardido

 

Amo as bibliotecas

contendo cerne e invento

e a memória dos séculos

 

vou até ao seu silêncio, de filtros

de elixires e venenos encobertos

prelúdios de Alexandria

na haste do pensamento

 

e quando me sento a ler 

é como se já voasse

em motim e transgressão 

e em mim nada faltasse

 

Amo as bibliotecas

numa pressa insaciável

das suas Luzes despertas

 

das eternidades, das vidas

e das mentes inquietas

melancolia traçada pelas canetas

e as penas dos poetas 

 

lugares de absoluto

onde procuro e me perco

de harmonia e desatino

no nosso tempo encoberto

 

Amo as bibliotecas

com paixão e desatino

podendo morrer de amor

por dentro do seu destino.

 

* O poema "As Bibliotecas" é da autoria de Maria Teresa Horta e está inserido no livro Estranhezas, publicado em 2018 pela editora Dom Quixote.